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Tanques de aço inox para fermentação de vinho

O vinho é uma matéria viva que reage a absolutamente tudo o que toca. Do momento em que a uva é esmagada até o instante em que a rolha é sacada, qualquer superfície em contato com o mosto deixa sua marca. Durante séculos, a conversa dentro das adegas foi dominada por dois gigantes: a madeira de carvalho e as pesadas vasilhas de concreto. Mas quando o aço inoxidável pisou na enologia, o jogo mudou de patamar.

Longe de ser apenas um metal frio, o inox virou a espinha dorsal da vinificação moderna, redefinindo o que esperamos de uma taça no dia a dia. Para entender essa transformação, vale olhar de perto para o coração da fermentação alcoólica. Quando as leveduras atacam os açúcares do suco da uva para transformá-los em álcool, essa reação química gera uma quantidade massiva de calor.

Controle de temperatura

Se o enólogo perde o controle e a temperatura sobe além da conta, o desastre é certo. Os aromas mais delicados de fruta fresca volatilizam e desaparecem no ar, o mosto ganha um tom "cozido" desagradável e, no pior cenário, as próprias leveduras morrem sufocadas pelo calor antes de terminar a conversão. O resultado? Uma fermentação interrompida e um lote inteiro comprometido.

É justamente aí que o aço inox mostra sua força. Por ser um excelente condutor térmico, ele permitiu a criação de tanques equipados com cintas e camisas externas de refrigeração por onde circula água gelada ou solução glicolada. Na prática, isso coloca nas mãos do produtor o controle absoluto da temperatura, grau a grau, minuto a minuto.

Quem pretende elaborar um Sauvignon Blanc vibrante, um Riesling tenso ou um rosé pálido e elegante precisa exatamente dessa tecnologia: fermentações lentas, conduzidas a baixas temperaturas, capazes de blindar e prender no líquido cada molécula de perfume da uva.
Outra revolução silenciosa aconteceu no campo da higiene e da sanidade microbiológica. A madeira de carvalho tem seu charme indiscutível, mas é um pesadelo de limpeza. Ela é porosa por natureza. Nesses microporos invisíveis a olho nu, microorganismos indesejados encontram o esconderijo perfeito.

Facilidade na higienização

O aço inoxidável, por sua vez, apresenta uma superfície lisa, cega, completamente não porosa e imune à corrosão. Ele simplesmente não acumula resíduos orgânicos e é de fácil higienização. Aliada à sanidade está a inércia química do material. O aço inoxidável não altera a identidade da bebida e não reage com os ácidos naturais da uva, como o ácido tartárico e o málico.

Se a intenção do enólogo for entregar a expressão mais pura do fruto — sem o "tempero" de baunilha, coco, especiarias ou tostado que a madeira inevitavelmente cede —, o inox torna-se a única escolha viável. Vinhos que buscam destacar a tipicidade da casta, o clima específico daquela safra e as particularidades do solo onde a videira cresceu — o famoso terroir — encontram no tanque de aço inox seu guardião mais fiel.

Pensando na rotina técnica de uma vinícola, a durabilidade do material impressiona bastante. Uma barrica de carvalho de primeiro uso custa uma pequena fortuna e perde grande parte da sua capacidade de doar aromas e compostos estruturais após três ou quatro anos de uso contínuo, virando um recipiente "neutro" que exige substituição constante. Já um tanque de aço inoxidável bem mantido atravessa gerações. A flexibilidade de engenharia que o aço proporciona também facilita o trabalho na adega. O metal pode ser soldado e moldado em praticamente qualquer formato para atender às necessidades de cada produtor.

Formato do tanque de aço inox

Existem tanques cilíndricos tradicionais, recipientes cônicos que ajudam na extração de cor em tintos, tanques de fundo inclinado projetados para acelerar a remoção de borras pesadas e sistemas autovinificadores.

Conclusão

No fim das contas, até a matemática financeira e a pegada ambiental pendem a favor do inox. Sob a ótica da sustentabilidade, o aço é um material 100% reciclável. Além disso, a facilidade de sanitização reduz drasticamente a quantidade de água gasta em enxágues exaustivos.
O aço inox trouxe sanidade impecável e permitiu que a uva falasse por si mesma. No final das contas, quem ganha é o apreciador de vinho, que hoje encontra nas prateleiras garrafas frescas e autênticas.

 

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